Sobre os Autores
Héctor G. Oesterheld nasceu em Buenos Aires, em 1919. Formou-se em geologia e trabalhou na área por alguns anos, até que começou a escrever livros infantis para a recém-fundada editora Abril, estabelecendo-se como um dos principais autores da casa. No início dos anos 1950, a convite do editor Boris Spivacow, começou a escrever roteiros de quadrinhos, criando personagens icônicos como o Sargento Kirk e o piloto de testes Bull Rocket. Em 1957, em busca de melhores pagamentos e maior liberdade criativa, decidiu fundar sua própria editora, a Frontera, que apesar de ter durado pouco, foi responsável por alguns dos maiores clássicos dos quadrinhos argentinos, dentre eles, O Eternauta. Nos anos 1960, ao lado de Alberto Breccia, Oesterheld escreveu HQs grandiosas como Mort Cinder e Che, uma visceral biografia de Che Guevara que chegou a ser censurada pela ditadura. Ao mesmo tempo, por influência de suas filhas e dos muitos jovens intelectuais que frequentavam sua casa, foi se aproximando cada vez mais da esquerda radical, filiando-se ao grupo de guerrilha Montoneros, no qual atuava como editor e na parte administrativa. Sua atividade como militante chamou a atenção do governo e, em 1977, enquanto trabalhava na continuação de O Eternauta, após ter tido todas as suas filhas sequestradas e mortas, duas delas grávidas, Oesterheld foi levado e dado como desaparecido. Seu corpo nunca foi encontrado, mas seu legado segue vivo como um roteirista brilhante e um dos poucos mártires a surgir na mídia dos quadrinhos.
Francisco Solano López nasceu em 1928, em Buenos Aires, descendente do famoso general paraguaio de mesmo nome. Entusiasta de quadrinhos desde a infância, formou-se em direito e trabalhou em um banco, até que uma conversa com o veterano José Luis Salinas o convenceu a perseguir carreira como desenhista. Estreou em 1951, na revista El Tony, e logo passou a integrar a equipe da editora Abril, firmando sua primeira parceria com Oesterheld na série Bull Rocket. Quando Héctor decidiu sair para fundar a Frontera, López foi junto, e foi ali que os dois conceberam sua grande obra-prima, O Eternauta. Mesmo assim, os pagamentos na Argentina eram baixos e ele decidiu tentar a sorte no mercado europeu, mudando-se para Londres e estabelecendo uma longa relação com a editora britânica Fleetway. Nos anos 1970, de volta a Buenos Aires, juntou-se novamente a Oesterheld para a criação de O Eternauta – Segunda Parte. Mas com o desaparecimento do amigo e o clima político cada vez mais repressivo, voltou para a Europa, de onde colaborou com outros autores argentinos exilados, como Ricardo Barreiro, com quem assina as ficções científicas Slot-Barr e Ministério, e Carlos Sampayo, com quem publicou o suspense policial Evaristo. Chegou a trabalhar para o mercado norte-americano, desenhando quadrinhos eróticos para a editora Fantagraphics, morou por alguns anos no Rio de Janeiro, e retomou O Eternauta nos anos 2000 em um longo terceiro capítulo, com roteiro de Pablo Maiztegui. Faleceu em 2011, tendo construído uma trajetória brilhante como um dos maiores artistas da América Latina.





























